Ativistas pedem boicote dos jogos; trajeto da chama inclui monte Everest, nas montanhas tibetanas.
O protesto contra a dominação chinesa do Tibete marcou a cerimônia do acendimento da tocha olímpica realizada na Grécia nesta segunda-feira. Minutos antes da atriz grega Maria Nafpliotou acender a simbólica chama que percorrerá o mundo até Pequim, dois ativistas pró-Tibete interromperam brevemente o discurso do representante chinês Liu Qi, presidente do Comitê Organizador dos Jogos.

O ativista conseguiu superar as estritas medidas de segurança no recinto de Olímpia e conseguiu levantar brevemente um cartaz que convocava o boicote dos Jogos devido à repressão policial chinesa no Tibete. Segundo o jornal espanhol El Pais, eles foram retirados por policiais gregos sem maiores incidentes.
O símbolo olímpico chegará na capital chinesa no dia 30 de março para começar o seu trajeto para vários países. Outra chama será levada ao Tibete para ser acessa no alto do Everest. O domínio chinês no remoto e budista Tibete se tornou motivo de críticas antes dos Jogos Olímpicos de Pequim, com manifestações em todo o mundo para lembrar o 49.º aniversário da frustrada revolta tibetana contra o governo comunista chinês. Pequim organizou um amplo dispositivo de segurança na região e elevará as precauções quando a tocha chegar na província, com o objetivo de preveni qualquer manifestação que “altere a unidade nacional”.
Apesar do incidente desta segunda, o governo chinês garante que a tocha será levada ao topo do Everest, mesmo que os tibetanos no exílio indiano insistam ao Comitê Olímpico Internacional (COI) para que a chama não passe pela região. Alguns grupos de defesa dos direitos humanos chegaram a pedir diretamente pelo boicote aos jogos.
A polícia disse que um dos manifestantes é um tibetano de 48 anos e que, até o momento, três pessoas foram presas. A polícia disse que outros 25 manifestantes tentaram entrar no local da cerimônia, mas foram impedidos pela forte presença policial. Através de um comunicado, a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) afirmou que seu secretário-geral, Robert Ménard e outros dois integrantes da organização foram dominados pelos agentes de segurança gregos, após colocarem uma faixa que mostrava os anéis olímpicos em forma de algemas, uma maneira de aludir ao que consideram falta de liberdade na China.

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